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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

JACK HUSTON E RODRIGO SANTORO FALAM SOBRE O FILME BEN-HUR EM COLETIVA DE IMPRENSA


Reuniram-se, na terça-feira, 02 de agosto, no Hotel Unique em São Paulo, parte do elenco do filme “Ben-Hur”, nova adaptação do livro de Lew Wallace para as telas do cinema. Os atores Jack Huston e Rodrigo Santoro representaram a produção que tem sua estreia marcada para o dia 18 de agosto.

A história do príncipe judeu Judah Ben-Hur já teve várias adaptações para o cinema e TV, sendo a versão de 1959 a mais conhecida. Protagonizada por Charlton Heston, a produção foi vencedora do Oscar em 11 categorias, até hoje detém o recorde de filme com mais prêmios da Academia, ao lado de “Titanic” (1997) e “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” (2003).

Sobre as possíveis comparações entre os dois filmes, o ator Jack Huston, intérprete do protagonista, declarou que são duas produções da mesma fonte, mas focos distintos, sendo o primeiro centrado na vingança e este direcionado para a redenção e o perdão. Huston ainda afirmou que esperam que o público tenha uma experiência positiva com este filme e possa sair dos cinemas inspirados pela mensagem do filme.

Já o ator brasileiro Rodrigo Santoro, que recebeu a missão de interpretar ninguém menos que Jesus Cristo, chegou a se emocionar ao relembrar as filmagens da crucificação. De acordo com Santoro, sob um frio excruciante, a demanda física foi absurda. Segundo ele, a intenção dele e do diretor foi fazer um retrato mais acessível e humanizado de Jesus, tentando aproximar as imagens do Jesus histórico do Jesus bíblico.

Quando questionado sobre o que esse trabalho proporcionou de ganho pessoal para o ator, Santoro respondeu que realizar o exercício de “oferecer a outra face” foi um ensinamento de tolerância que por muitas vezes foi limitado por seus próprios instintos. Ele concluiu, portanto, que é necessário estar sempre trabalhando para evoluir em um esforço de sempre poder melhorar.

Para Huston, a figura de Jesus para seu personagem, Ben-Hur, era de apenas um homem que lhe mostrou bondade em um momento de aflição e não de um messias como o conhecemos hoje em dia. Ele se fiz muito orgulhoso de fazer parte deste filme e que a mensagem proposta transcende a barreira do tempo.


Na história, Judah Ben-Hur foi criado com seu irmão adotivo Messala, que é de origem romana. Sentido confuso sobre sua identidade, e mesmo amando a família que o acolheu, Messala decide partir e se alistar no exército de Cesar. Anos se passam e Messala volta a Jerusalém como um oficial militar condecorado e se reúne com sua família num clima de festa e comemoração. Mas um mal-entendido envolvendo um atentado contra o novo governador, Pôncio Pilatos, coloca os irmãos em lados opostos gerando uma trágica jornada de vingança e redenção. Paralelamente, Jesus começa sua obra e seu ministério sublinha a saga de Ben-Hur com grande influência nas escolhas do príncipe transformado em escravo.


Está previsto, também, o lançamento de uma nova edição do livro “Ben-Hur: Uma História dos Tempos de Cristo”, pela editora Gutenberg, com texto de Carol Wallace, trineta de Lew Wallace autor da obra original publicada em 1880. A intenção dela é dar uma nova roupagem para a trama com intuito de aproximá-la dos leitores atuais.


quinta-feira, 30 de junho de 2016

PROCURANDO DORY - REVIEW


“Procurando Dory” é a aguardada sequência da animação “Procurando Nemo”, criada pelos estúdios Disney e Pixar em 2003, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira. 
Pelo recordes de bilheterias alcançados nos Estados Unidos em sua estreia na semana passada, já é possível concluir que aventura submarina é mais um acerto da parceria dos estúdios, e deve arrasar o box office também no Brasil e no resto do mundo.


Que a animação seria um sucesso comercial já era de se esperar (vale pontuar que “Independence Day”, que estreou no mesmo fim de semana, comeu poeria chegando apenas em segundo lugar), mas e quanto ao filme propriamente dito? Será essa coca cola toda? E a resposta é SIM, com letras maiúsculas e garrafais.


“Procurando Dory” não é só um filme divertido para a família, mas uma bela combinação de entretenimento que diverte e emociona. É engraçado quando tem que ser, arranca lágrimas em cenas emocionantes muito bem construídas e é fofíssimo ao extremo. Nada soa falso ou gratuito como em diversas animações supostamente para crianças mas que pecam pelo tom equivocado e muitas vezes de mau gosto (leia-se “Angry Birds”).


Um outro ponto positivo é o ritmo rápido com coisas acontecendo a todo tempo e sempre mesclando sacadas inteligentes em um roteiro bem amarrado e muito bem escrito. Andrew Stanton, roteirista de “Procrando Nemo”, “Wall-e” e dos três “Toy Story” é quem assina o texto da produção. Ou seja, o cara é realmente bom.


O longa traz mais uma vez os queridos personagens do primeiro filme: além de Dory, Marlin e Nemo estão mais uma vez na aventura que se misturam a novos personagens, como o polvo Hank (que no Brasil recebeu a voz de Antônio Tabet), as baleias Destiny e Bailey entre outros.
Na história, Dory está vivendo na anêmona com Marlin e Nemo e um dia algo acontece que engatilha uma lembrança da família dela. E assim como essa, outras lembranças vão aparecendo. O problema é que  do mesmo jeito que elas aparecem elas vão embora, pois a peixinha continua sofrendo de perda de memória recente. Mesmo assim, Dory se sente motivada a descobrir o que aconteceu com os pais dela, e arrasta seus amigos numa jornada através do Oceano, em busca de suas origens.


Se tem uma coisa que eu posso dizer sobre “Procurando Dory” é que vale muito a pena e realmente se equipara em qualidade ao primeiro filme.
Não perca tempo e corra para um cinema perto de você para conferir esse filmão!

Confira aqui o trailer:




quinta-feira, 19 de maio de 2016

ROTEIRISTAS EM APUROS


“Ave, César!”é o filme mais recente dos irmãos Coen e tem em seu elenco estrelas do calibre de George Clooney, Scarlett Johansson, Josh Brolin e Channing Tatum. O longa é uma divertida jornada pelos bastidores do cinema da era de ouro de Hollywood onde épicos bíblicos, musicais, faroestes e filmes de espionagem levavam verdadeiras multidões às salas de projeção.

Com as excentricidades particulares a toda sua obra, os irmãos mais uma vez conseguem criar uma comédia diferente – ou estranha mesmo – mas que é uma verdadeira homenagem à produção cinematográfica como indústria. Ao mesmo tempo que reverencia esses “deuses” também os satiriza violentamente  em seus trejeitos, exageros e idiossincrasias.

Centrado no personagem de Josh Brolin, o troncudo Eddie Manix, o filme se desenrola paralelamente ao produção de um caríssimo filme épico que tem o problemático Baird Whitlock (Clooney) como protagonista. Manix é aquele cara que é contratado para resolver problemas. Não importa a natureza ou a proporção – ele resolve. Acontece que Whitlock desaparece misteriosamente e rapidamente Manix deve impedir que o Estúdio (o ficctício Capitol Pictures) se envolva numa conspiração de natureza política.

Mesmo completamente assoberbado com esse sumiço de sua grande estrela, Manix ainda tem que lidar com a gravidez indesejada de uma musa de filmes de dança aquática (no melhor estilo Esther Williams), agradar um diretor com aspirações grandiosas, formar casais e ainda despistar duas jornalistas de fofoca, interpretadas brilhantemente por Tilda Swinton se dividindo em papel de gêmeas.  

Num elenco repleto de artistas do time A de Hollywood, é  novato Alden Ehrenreich que rouba a cena. O rapaz interpreta Hobie Doyle que, inicialmente parece apenas um ator canastrão de faroeste espaguete, mas que história reserva um importante papel.

O grande barato do filme é como os diretores conseguem sublinhar a situação dos roteiristas de Hollywood a quem a indústria reserva muito trabalho e pouco reconhecimento. E sem entregar muito do acontece no filme, são eles que amarram todas as pontas do filme.

Na lista abaixo você pode conferir outros exemplos de filmes sobre percalços que os roteiristas de cinema enfrentam:

Trumbo: Lista Negra (2015)
Baseado em fatos reais sobre o roteirista declaradamente comunista Dalton Trumbo. Bryan Craston recebeu uma indicação ao Oscar por sua atuação.


Virando a Página (2014)
Com Hugh Grant e Marisa Tomei. Comédia romântica centrada na vida de um roteirista que fez sucesso há tempo e desde então nunca mais emplacou outro grande sucesso. Quando, por motivos financeiros, ele é obrigado lecionar em uma Universidade sua vida acaba se transformando completamente.



Nine (2009)
Musical baseado na peça da Broadway de mesmo nome e, que, por sua vez é adaptada do clássico italiano 8 1/2 de Fellini. Esse fala mais da realização de um filme por um diretor, mas abrange todo o processo criativo (ou a falta dele, neste caso). Indicado a quatro Oscars.



Adaptação (2002)
Com roteiro de Charlie Kaufman e direção de Spike Jonze, esse filme é um clássico instantâneo. Meryl Streep, Nicolas Cage e Chris Cooper estão no elenco desse filme que narra os percalços de adpatar um livro para o cinema. 



Cine Majestic (2001)
Jim Carrey em um raro papel dramático interpreta um roteirista de Hollywood que perde a memória e acaba sendo confundido com um jovem dado como morto na Segunda Guerra.



O Jogador (1992)
Obra prima de Robert Altman, com Tim Robbins no elenco. Um retrato amargo das políticas dos estúdios envolvendo um executivo de um grande estúdio que passa a ser chantageado por um roteirista que teve seu trabalho descartado. Indicado a três Oscars.




Barton Fink (1991)
Também dos irmãos Coen. Retrata as angústias de um escritor com um sério bloqueio criativo, que se envolve em uma complicada trama policial. Adivinhe o nome do estúdio. Isso mesmo. Capitol Pictures assim como em "Ave, César!". 



Crepúsculo dos Deuses (1950)
Clássico de Billy Wilder, com os mitos Gloria Swanson e William Holden. A estranha relação entre uma diva decadente do cinema mudo e um roteirista endividado promovido a michê que resulta em tragédia é um marco na história do cinema. 


segunda-feira, 16 de maio de 2016

SUCO DETOX EM EX MACHINA



“Ex Machina” é um filme de ficção científica, estrelado por Alicia Vikander, Oscar Isaac e Domhnall Gleeson. A produção conta a história de Caleb (Gleeson) que trabalha em um tipo de empresa de tecnologia que desenvolveu um mecanismo de pesquisa online semelhante ao Google. Nathan (Isaac), o criador dessa companhia convida Caleb para um experimento super secreto: testar as habilidades de interação social de uma inteligência artificial desenvolvida por ele.

Quando Caleb chega na mansão de Nathan (que mais parece uma super fortaleza) ele leva tempo a se acostumar com todos os procedimentos de segurança além da rotina e personalidades excêntricas do cientista. Nathan é brilhante, mas também solitário, manipulador e com um fraco para bebedeiras homéricas. O filme começa a ficar interessante com o encontro de Caleb e Ava (Vikander) e como a interação desses dois personagens irá determinar o destino de ambos.

À título de curiosidade, o nome do filme vem da expressão em latim "Deus Ex Machina", usada em tragédias gregas: quando um personagem representando Deus aparece na terra para resolver os impasses da história milagrosamente garantindo o final feliz das personagens.

Mas, voltando ao filme, Nathan é chegado a um bom porre e, em algumas cenas, podemos vê-lo preparando sucos funcionais que buscam o limpar o organismo de toxinas acumuladas nos exageros da noite anterior. São os famosos sucos detox. Sua queda pela intoxicação alcoólica é fundamental em pontos chaves do filme e está diretamente relacionada com o desfecho da história.



Se, assim como Nathan, você é chegado a enfiar o pé na jaca, aqui vai uma receitinha básica de suco detox.

Suco detox com gengibre

Ingredientes:

200ml de suco de uva integral
1 limão com casca
Gengibre a gosto
Canela a gosto

Modo de preparo:

Bata bem todos os ingredientes no liquidificador e coe em seguida.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

DEUS NÃO ESTÁ MORTO 2 - REVIEW



Depois de ser filosoficamente debatido no surpreendente sucesso de bilheteria “Deus Não Está Morto”, o cristianismo volta à berlinda na sequencia “Deus Não Está Morto 2”, já em cartaz em todo país. Desta vez, o embate ocorre nos tribunais envolvendo o conceito defendido pelos liberais que preza a “Separação entre Igreja e Estado”.

A professora de história do ensino médio, Grace Wesley, é uma cristão convicta e orgulhosa de suas crenças. Mesmo sem nunca negar sua verve cristã, ela sempre respeitou a norma de não exceder sua posição de educadora e pregar o evangelho para seus alunos em solo escolar, visto que ela trabalha em uma escola pública. Uma aluna, entretanto, faz uma pergunta durante uma de suas aulas comparando os movimentos de não-violência liderados por Gandhi e Martin Luther King aos ensinamentos de amor ao próximo de Jesus Cristo. Nessa ocasião, Grace se vale de seu conhecimentos das escrituras para ressaltar o paralelo entre os três líderes.

Só que esse acontecimento chega aos ouvidos da diretoria da escola que interpreta o fato como um abuso dos limites por parte da professora. Grace é suspensa, sem direito a salário, pois ela é acusada de estar pregando em ambiente laico. Diante da recusa da professora em se desculpar, o incidente é levado aos tribunais para julgar a conduta da professora em processo movido pelos pais da aluna que fez a pergunta. Agora não é só Grace que está no banco dos réus, mas também tudo em que ela acredita.

“Deus Não Está Morto 2” usa as mesmas táticas didáticas de pregação empregadas no primeiro filme. Nessa sequência, entretanto, o debate filosófico é diluído em um discurso maniqueista de bem contra o mal, sendo o mal encarnado por um caricato advogado vivido por Ray Wise (mais conhecido pelo seu papel no icônico seriado “Twin Peaks”) que quer provar, de uma vez por todas, que Deus, de fato, está morto. 

O roteiro transita entre bons diálogos edificantes e inteligente a um sentimentalismo bobo e exagerado. Os bons momentos são sublinhados pelas participações ilustres dos autores Lee Strobel (Em Defesa da Fé), J. Warner Wallace (Cold Case Christianity) e do próprio Rice Broocks (autor do livro de mesmo nome que inspirou o filme).  Os autores aparecem muito bem aproveitados como testemunhas de defesa do caso contra a professora para ratificar a existência de Jesus como figura histórica.

O que é importante considerar ao ir ao cinema para assistir um tipo de filme como esse não é o valor agregado como um artigo de arte e sim um produto pensado e executado para agradar o público cristão. De fato, “Deus Não Está Morto 2” se vale de uma mensagem necessária e bonita, mas falha ao tentar alcançar o público não cristão, que pode entrar na sala com um olhar desconfiado dado ao marketing pesado de outras produções de viés religioso como “Os Dez Mandamentos” que, até hoje,  gera opiniões bem polarizadas. O que quero dizer é que o impacto residual do filme adaptado da novela da Record pode até atrapalhar a efetividade desta produção que estreia com grandes expectativas de êxito nas bilheterias.


No entanto, independente de toda controvérsia, eu recomento que assista o filme livre de conceitos e preconceitos. Usufrua desta experiência cinematográfica que prega uma boa mensagem e que, no fim das contas, nos faz nos sentir mais perto de Deus.  

quarta-feira, 30 de março de 2016

O RATATOUILLE SEGUNDO DISNEY



Ratatouille, de 2007, é uma premiada animação da parceria dos estúdios Disney e Pixar. O filme se passa em Paris e consegue capturar toda a essência e charme da cidade luz, sem abusar das imagens dos pontos turísticos mais batidos. Pelo contrário, a produção foca nos bastidores de um restaurante – o Gusteau’s – e como ele afeta a vida de suas personagens.

No filme, o ratinho Remy e o atrapalhado Linguini vão formar uma parceria inusitada. Juntos, ele se tornam um dos melhores cozinheiros da França, sendo Remy a cabeça e Linguini, os braços. Tanto sucesso não poderia vir sem causar muita confusão e, principalmente, a ira do chef Skinner e o olhar desconfiado do crítico gastronômico Anton Ego.

Quando visitei a capital francesa, tive a oportunidade de registrar uma feira local no bairro de Montparnasse. Se quiser entrar no clima do filme, é só dar o play. A edição não é muito boa, vou logo avisando ;).




A lição que o filme ensina (é claro que há uma lição, afinal, estamos falando de Disney) é que nem todo mundo pode se tornar um grande artista, mas um talento verdadeiro pode vir de qualquer lugar, até da mais humilde e incomum origem.

O prato que dá nome ao filme é uma receita tradicional da Provença, região sul da França. Consiste em legumes cozidos, como berinjela, abobrinha e tomate.

Aprenda você também a fazer essa iguaria francesa.




Ratatouille

Ingredientes:

1 abobrinha
1 berinjela
2 tomates
1 pimentão vermelho
1 pimentão amarelo
½ cebola
1 dente de alho
Polpa de tomate
Sal
Pimenta do Reino
Tomilho
Alecrim
Azeite extra virgem.

Modo de Preparo:

Corte os legumes em rodelas, exceto a cebola. Coloque as berinjelas na água com sal para amenizar o gosto amargo. Misture o alho e a cebola – cortados bem pequenininhos – com a polpa de tomate e tempere com sal e pimenta.

Disponha esse molho no fundo de uma travessa. 



Faça a montagem dos legumes alternando a berinjela, a abobrinha, o tomate e os pimentões.



Regue com azeite e tempere com tomilho e alecrim. Cubra com papel manteiga e leve ao forno pré-aquecido em temperatura média por trinta minutos.






sexta-feira, 18 de março de 2016

A FRITADA DE "UMA MANHÃ GLORIOSA"



Quem se encantou com a jornalista Sacha Pfeiffer, jornalista investigativa interpretada por Rachel McAdams em “Spotlight: Segredos Revelados”, talvez não saiba, mas a atriz já incorporou a profissão, pelo menos duas outras vezes no cinema.

Em 2009, McAdams se juntou a Russel Crowe no suspense “Intrigas do Estado” como dois repórteres que investigam o assassinato de uma bela mulher ligada romanticamente ao Congressista americano, encarnado por Ben Affleck. E em 2010, na comédia “Uma Manhã Gloriosa”, a moça voltou a encarar a perseguidora de notícias ao dar vida a Becky, uma produtora de um jornal matinal com péssimos ínidices de audiência e grandes chances de encerrar os trabalhos, pouco tempo depois de ela assumir a posição.

Se em “Spotlight”, Rachel emprega uma performance alinhada e comedida, coerente com o resto do elenco que inclui Michael Keaton e Mark Ruffalo, em “Uma Manhã Gloriosa”, Becky é uma estridente e otimista, quase ingênua, quase chata, jornalista que contrasta com o cinismo e sisudez dos âncoras do jornal, vividos por Harrison Ford e Diane Keaton.

Nessa simples comédia, que é tão simpática quanto esquecível, são os contrastes que contornam o conflito principal do filme: fazer com que o quase aposentado, porém prestigiado Mike Pomeroy (Ford), integre a equipe do Daybreak, jornal matinal à beira da extinção televisiva, nem que seja contra a sua vontade. Nessa relação forçada entre Becky e Pomeroy, ambos vão aprender com as suas diferenças a chegar a um denominador comum.


Mas antes dessa resolução óbvia e previsível, Becky está quase partindo para outro emprego depois de aturar todas as pirraças de Pomeroy  quando um gesto dele a faz repensar sua decisão. E esse gesto inclui preparar uma legítima fritada italiana ao vivo.

Você pode conferir a cena abaixo, mas cuidado, ela contém SPOILERS, pois trata-se do final do filme: 



Segundo o livro Fundamentos da Cozinha Italiana Clássica, da mestra culinária Marcella Hazan, “Uma fritada pode ser descrita como uma omelete italiana aberta. Como uma omelete, a fritada consiste em ovos fritos na manteiga com uma grande variedade de recheios. Mas a textura, a aparência e o modo de preparar uma fritada são bem diferentes (...). Em vez de cremosa, é firme e consistente, ainda que nunca deva ser dura e seca. Não é dobrada como a omelete (...)As fritadas são sempre feitas no fogo muito baixo e muito devagar.” Além disso é tradicional a finalização no forno, apesar de algumas pessoas não usarem esse passo.

Confira uma receita simples e clássica de fritada italiana.

FRITADA COM CEBOLAS

Ingredientes:

1 cebola média cortada em rodelas finas
Azeite extra virgem
Sal e pimenta a gosto
5 ovos
2/3 de xícara de chá de queijo parmesão ralado
2 colheres de sopa de manteiga

Modo de Preparo:

Coloque as cebolas, a azeite de oliva e o sal numa frigideira grande, leve ao fogo baixo e tampe. Cozinhe até que as cebolas tenham murchado e reduzido de volume.
Bata os ovos numa tigela e adicione as cebolas, o queijo parmesão ralado, o sal e a pimenta do reino. Misture bem. Derreta a manteiga e, quando começar a espumar, adicione a mistura de ovos.  Abaixe o fogo o máximo possível. Quando os ovos tiverem se firmado e engrossado, e somente a superfície estiver líquida, passe a frigideira para o forno pré-aquecido a 1800 por alguns segundos. Vire em um prato e sirva como uma torta.   





sábado, 13 de fevereiro de 2016

BROOKLYN - REVIEW



Saoirse Ronan começou a ter destaque muito cedo em sua carreira de atriz sendo indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante com apenas 13 anos pelo filme “Desejo e Reparação” (2007). Este ano, ela volta a cena da temporada de premiações com o drama “Brooklyn”, indicado a estatueta em três categorias (Filme, Atriz e Roteiro Adaptado).

Adaptado do best-seller homônimo escrito por Colm Tóibín, “Brooklyn” é uma história linear e simples que narra o dilema de uma jovem mulher ao se ver dividida entre dois mundos. Na Irlanda do pós-guerra, Eilis (Ronan) chega a conclusão de que o lugar não tem muito a lhe oferecer. Incentivada por sua irmã mais velha, ela consegue, por intermédio da igreja, um visto para se estabelecer em Nova York, Estados Unidos. Lá, a moça terá que lidar com os desafios de se ver pela primeira vez por sua conta, sem um rosto amigo para lhe confortar.

Quem está nessa fase de transição da vida – de adolescente para a vida adulta – poderá se identificar muito com a jornada de Eilis. “Adultecer” pode ser muito doloroso e solitário, principalmente em terras estranhas. Não é de se espantar que logo a saudade de casa começa a afetar profundamente a moça. Nesse momento ela conhece Tony (Emory Cohen, muito encantador) e logo a relação com o rapaz a ajudará a se estabelecer e encarar a vida na América. Entretanto, o destino (sempre ele) faz com que, através de uma repentina perda, Eilis tenha que voltar para a Irlanda.

O que seria uma viagem temporária acaba promovendo a grande questão dramática do filme, pois, de volta a sua cidade Natal, Eilis tem oportunidades que, antes de sua mudança, lhe foram privadas de certa forma. Essa segunda fase na Irlanda mostra a transformação de Eilis em uma mulher segura, sofisticada e até exótica, chamando muito a atenção das pessoas. Agora, com a chance de um emprego estável e um pretendente em potencial, Eilis deve decidir o verdadeiro sentido de lar e arcar com as consequências de suas escolhas.

“Brooklyn” é um puro filme de atriz, onde a história é integralmente centrada e nivelada pela performance de sua protagonista. Saoirse está ótima com uma atuação sólida e madura. O filme ainda recebe o brilho da breve participação de Julie Walters, como a administradora da casa de moças que recebe Eilis nos EUA. A leveza da história, que poderia muito facilmente descambar para o melodrama, é um ponto positivo. O diretor John Crowley fez um belo trabalho ao conduzir essa adaptação dos livros para a telona. O filme tem estreia prevista para esta quinta-feira, dia 11, em todo país.



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A GAROTA DINAMARQUESA - REVIEW



“A Garota Dinamarquesa” é adaptação para o cinema baseada na obra de mesmo nome do autor David Ebershoff.  A história é centrada na vida do pintor Einar Wegener que foi um dos primeiros transsexuais a se submeter a uma operação de mudança de sexo. Ícone do movimento LGBT até hoje, sua trajetória chega as telonas com o brilho da interpretação de Eddie Redmayne (“A Teoria do Tudo”) acompanhado da igualmente talentosa Alicia Vikander, que interpreta sua esposa, Gerda. O filme está concorrendo ao Oscar desse ano em quatro categorias (Ator, Atriz Coadjuvante, Design de Produção e Figurino).

Eddie Redmayne é um homem cuja imagem andrógina tornou oportuna a sua escalação para o papel de Lili. Seu corpo lânguido e rosto pálido, de traços finos e delicados, configuram uma moldura perfeita para o que o physique du rôle exige neste filme. Esse dado – a escalação de um homem para o papel – é particulamente um grande acerto. Sem querer desmerecer mulheres que já interpretaram homens que se tornam mulheres, como Felicity Huffman em “Transamérica”, por exemplo, que esteve brilhante. Mas, o biotipo de Redmayne e sua habilidade de mimetizar com elegância os trejeitos femininos em um crescente aprendizado é uma das coisas mais interessantes da película.

Mas a história não se resume apenas a transição submetida por Einar. Muito mais que isso, o filme é, na verdade, uma bela narrativa sobre o amor verdadeiro entre duas pessoas que permanecem fiéis até o fim. Gerda, vivida lindamente pela talentosa atriz sueca Alicia Vikander (“Ex Machina”), teve que lidar com o fato de que seu marido deseja se tornar uma mulher integramente, incluindo seu corpo. Numa época (década de 20) em que homossexualismo era um tabu, imagine uma transição completa de gênero. Einar ou Lili (como ele passou a se chamar) foi considerado esquizofrênico se submento a tratamentos como radiação, internações ou uso de remédios.

O contraste entre Gerda e Einar é além palpável, chega a ser irônico. Gerda é independente, moderna, com o desejo de se estabelecer como pintora. Ela deseja ardentemente por essa validação profissional e a autonomia de sua carreira sempre à sombra do bem-sucedido marido, também pintor. Einar, por outro lado, ao passo que assume gradualmente o seu alter-ego feminino, é de uma postura tímida, recatada e discreta – tal qual uma moça da época supostamente deveria ser.  

O desenvolvimento deste projeto vinha se desenrolando por anos, e Nicole Kidman estava escalada para viver Einar/Lili, além de produzir o filme. Charlize Theron, Gwyneth Paltrow e Rachel Weisz foram algumas das estrelas cotadas para viver Gerda antes que Vikander fosse escalada em 2014. A esta altura Tom Hooper já estava comprometido com a direção e Nicole se afastando completamente da produção.

“A Garota Dinamarquesa” é um filme elegantemente executado, elevado por uma trilha musical belíssima, uma fotografia exemplar e com atuações de excelente nível. O que pesa contra a produção é que a história está sendo vendida como uma cinebiografia, quando, na verdade, os fatos mostrados no filme/livro diferente muito do que aconteceu realmente. Gerda na verdade era bissexual e mantinha um casamento aberto com Einar. Ebershoff, o autor do livro mudou tantos itens, que a obra é mais uma ficção usando personagens que existiram de verdade do que uma biografia.

Entretanto, a despeito das liberdades tomadas por Ebershoff e Tom Hopper (que também dirigiu Redmayne em “Os Miseráveis”), “A Garota Dinamarquesa” é um filme atual e necessário que fomenta a discussão sobre gêneros tão presente atualmente.  

Confira o trailer aqui:



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

O REGRESSO - REVIEW

Chega aos cinemas esta semana o épico “O Regresso”, grande concorrente ao Oscar deste ano com nada menos que 12 indicações, incluindo Melhor Filme, Ator, Ator Coadjuvante e Diretor. O filme é conduzido pelo maestro mexicano Alejandro G. Iñárritu, que no ano passado levou as estatuetas de Direção, Roteiro e Filme pela comédia satírica “Birdman”. Estrelado por Leonardo DiCaprio e Tom Hardy, a produção é um suspense de vingança executado com perfeição técnica completamente deslumbrante.

No decorrer de seus 156 minutos de duração, o filme compreende uma jornada de superação e sobrevivência ancorada no talento e comprometimento de DiCaprio (que grita por um Oscar). Sua entrega ao personagem é completa e admirável, posto que poucas vezes vi um ator sofrer tanto por sua arte. Considere que além da exposição às severas condições de filmagem (nas baixas temperaturas do Canadá e da Argentina) que se limitavam a uma hora de exposição da luz do sol por dia, DiCaprio ainda abraçou desafios que incluíram: devorar um pedaço cru do fígado de um bisão, mesmo sendo vegetariano, e aprender duas línguas indígenas diferentes (Arikara e Pawnee).

Adaptado do romance baseado em fatos reais de Michael Punke, publicado em 2002, “O Regresso” conta a história de Hugh Glass, que, nos idos de 1820, trabalhava em uma expedição para extrair peles de animais em terrenos inóspitos, de natureza agressiva, e ainda, cercado de nativos americanos hostis além de uma concorrência nada amigável de uma guarnição francesa. Acompanhado de seu filho mestiço, Glass serve ao batalhão mas, antes de mais nada, zela por sua prole. Entretanto, após ser atacado por um urso (em uma cena impressionantemente realista) e perder seu único filho, Glass é abandonado à própria sorte, gravemente ferido e sem nenhum recurso de sobrevivência. Daí começa sua jornada de sobrevivência motivada exclusivamente pela vingança contra Fitzgerald (Tom Hardy), o homem responsável pelo seu infortúnio.

Fitzgerald é um antagonista óbvio visto que tudo no roteiro contribui para que o público desenvolva uma ogeriza ao personagem. Um fato que depõe contra o filme num todo, visto que acaba caindo em arquétipos pré-estabelecidos onde todos torcemos para um desfecho previsível de bem contra o mal. Talvez essa construção e desenvolvimento de personagem, tanto de Hardy quanto de DiCaprio, sejam as coisas mais rasas da produção. O que certamente não desmerece a obra.

“O Regresso” é um banquete visual, uma experiência estética e sensorial. A fotografia poderosa de Emmanuel Lubezki é impressionante e incrivelmente bela. Pode-ser traçar paralelos com outro cineasta também famoso pela contemplação da natureza – Terrence Malik. Logo na início do filme, onde acontece o ataque Arikara ao acampamento de Glass e seus companheiros, somos brindados com cenas de takes longos e contínuos, uma das assinaturas de Iñárritu, que eleva a sensação de tensão e crueza física.



Se em “O Náufrago”, Tom Hanks tinha sua afetuosa interação com a bola Wilson e em “Perdido em Marte”, Matt Damon tinha um personagem extremamente carismático e otimista, em “O Regressa”, Leonardo DiCaprio tem apenas a determinação expressada através de suspiros de dor e grunhidos abafados pelos ferimentos na garganta para sustentar sua atuação durante boa parte do filme. E ainda assim ele e Iñarritu conseguem conceber uma narrativa que entretem e emociona num desfecho quase catártico. E nesta boa fase de Inãrritu é de se esperar que mais coisas boas virão no futuro. 

Veja o trailer aqui: