quinta-feira, 19 de novembro de 2015

PARCERIAS DE SUCESSO: "UM BOM ANO" E CAVIAR DE BERINJELA

Uma característica muito comum entre os cineastas é repetir, frequentemente, a escalação de determinados atores. Alguns conseguem estabelecer parcerias mais longas que muitos casamentos em Hollywood. Tim Burton e Johnny Depp, Scorsese e Robert de Niro, Scorsese e Leonardo DiCaprio, Christopher Nolan e Michael Caine, Tarantino e Samuel L. Jackson, David Fincher e Brad Pitt, só para listar alguns exemplos de várias duplas de sucesso. Mas a que eu quero mencionar aqui é Ridley Scott e Russell Crowe.

O primeiro trabalho dos dois juntos foi “Gladiador” (2000), que rendeu a Crowe seu primeiro (e único) Oscar e ainda foi premiado em outras quatro categorias (Filme, Figurino, Som e Efeitos Visuais).  Depois de um hiato de seis anos, os dois voltaram a trabalhar juntos em “Um Bom Ano” (2006), “Gângster Americano” (2007), “Rede de Mentiras” (2008)  e “Robin Hood” (2010).

“Um Bom Ano” é a única comédia dirigida por Ridley Scott. Além de Russell Crowe, Marion Cotillard (que logo depois ganharia o Oscar de Melhor Atriz, por “Piaf – Um Hino Ao Amor”) e Abbie Cornish (do remake de “Robocop” de José Padilha) também estão no elenco. O filme é ambientado no sul da França, na região da Provença.

Crowe é Max Skinner, um inglês que trabalha no mercado financeiro. Ao descobrir que seu tio Henry faleceu e ele é seu único herdeiro, Max terá que retornar a Bonnieux, na França, para se desfazer do imóvel do tio e outras coisas. Ele só não contava que ao chegar lá, todas as memórias de sua infância voltam com força total trazendo uma transformação sem retorno na vida de Max.

A produção não foi um grande sucesso de bilheteria, entretanto, não se pode negar que Scott provê uma fotografia ímpar ao filme, abusando das belas paisagens naturais da região. Um filme que desperta todos os nossos sentidos e nos faz querer largar tudo e viver uma vida simples numa cidadezinha como aquela. A região da Provença é famosa por seu vinho rosé, pelas plantações de lavanda e pela culinária típica.

Em uma das cenas do filme, Max e sua prima (Abbie Cornish) são convidados para um legítimo banquete à moda provençal preparados pelo vigneron Duflot, que trabalhava para o tio de Max. No menu do jantar temos: caviar de berinjela, cotovias, cogumelos da região e javali selvagem marinado no vinho tinto.

O caviar de berinjela é bem simples de fazer e é um aperitivo muito comum. Serve-se como pasta acompanhada de pãeszinhos. O prato tem esse nome porque as sementes da berinjela lembram as ovas que formam o caviar. Esta é a minha versão da receita.

Caviar d’aubergine

Ingredientes:

1 berinjela
1 dente de alho
Alecrim e tomilho a gosto
Sal
Azeite
Coentro
200g de creme de leite fresco
Suco de meio limão espremido
Pimenta do reino ralada na hora

Modo de Preparo:

Corte a berinjela no sentido longitudinal.
Faça cortes superficiais cruzados como na foto.


Esfregue um dente de alho na superfície das duas metades.
Em uma metade coloque alecrim e na outra, tomilho.
Regue com azeite e coloque uma pitada de sal.


Com o alho no meio junte as metades da berinjela e enrole em uma folha de papel alumínio.
Leve ao forno à 230 graus por 40 minutos.


Com o auxílio de uma colher raspe a polpa de berinjela.


Em uma tábua de corte, despeje a mistura e com uma faca, dê batidinhas no creme.


Leve ao fogo por cerca de 30 segundos em uma panelinha com azeite.



Retire do fogo e acrescente o coentro e o creme de leite.
Acrescente o limão.
Finalize com pimenta do reino moída na hora e corrija o sal.




terça-feira, 17 de novembro de 2015

A MÁFIA VAI À MESA EM "ALIANÇA DO CRIME"



Depois de investir um período de sua carreira em produções de qualidade duvidosa, Johnny Depp volta renovado em “Aliança do Crime”, já em cartaz em todo Brasil. Na produção, Depp encarna o infame James “Whitey” Bulger, um dos criminosos mais perigosos que o mundo já viu. Acusado de assassinato, extorsão, sequestro, tráfico de drogas, entre outras coisas, Bulger passou mais de quinze anos foragido sendo considerado o segundo homem mais procurado pelo FBI, perdendo apenas para Osama Bin Laden. Bulger foi preso em 2011, em Santa Monica, aos 83 anos.

No filme, podemos ver o processo de ascensão do meliante peixe pequeno a poderoso chefão do tráfico de drogas na região sul de Boston, nos Estados Unidos. E grande parte desse feito envolve uma aliança obscura com o FBI. Até hoje, esse envolvimento de Bulger com o Bureau de Investigação e o Departamento de Justiça americano não está muito claro. Mesmo durante o julgamento de Whitey em 2013, essa ligação não foi 100% esclarecida. É fato que o agente Jonh Donnoly, amigo de infância de Bulger, foi o mediador desse vínculo. Também é fato que Bulger mantinha vários agentes e até promotores em sua lista de pagamentos. Mas a grande questão é: o que Bulger oferecia em troca da vista grossa do FBI para seus crimes? Ele era ou não um informante?

Bulger, em sua ética distorcida, acredita que informantes e alcaguetes são seres da pior espécie e merecem morrer por esse ato. Em seu julgamento, ele não teve problemas em assumir a autoria de crimes hediondos que envolvia tortura e assassinato. Mas no que se refere a ser informante do FBI, a negação é a suma resposta do mafioso.

Criado nas ruas da região conhecida como Southie, em Boston, James e seu irmão Billy (que mais tarde se tornaria senador) , cresceram com grandes laços atrelados a comunidade de descendência irlandesa. Depois de passar uma temporada em Alcatraz, Bulger voltou às ruas de Southie para ‘trabalhar’ para a Winter Hill Gang. Os italianos prosperavam como os grandes senhores do tráfico de drogas no local. O agente John Connoly assumia um posto de confiança no Bureau e tinha como missão extirpar a máfia de lá. Bulger não tinha os meios de se livrar da concorrência italiana, logo, seria muito conveniente ajudar o FBI a fazer seu trabalho de aniquilar a competição.  E assim formava-se essa aliança profana. O que não se sabe é até que ponto um ajudou o outro, mas a consequência foi que muitas vidas se perderam e que Bulger prosperou significativamente neste período.

Em seu retrato de Bulger, Johnny Depp está incrível em uma atuação visceral e hipnotizante, como há muito não se via. O filme é ele. A direção pouco experiente de Scott Cooper (de “Coração Louco”) deixa um pouco a desejar e as comparações com os filmes de Scorsese acabam sendo inevitáveis. Principalmente porque em “Os Infiltrados” (2006), o personagem de Jack Nicholson é vagamente inspirado em Whitey Bulger. Entretanto, a questão que mais atrapalha o filme é o ritmo que, do meio para o fim, se torna um pouco cansativo em comparação ao eletrizante início da trama.

NO PRATO

Eu gosto muito de observar quando os filmes de máfia mostram cenas à mesa. Geralmente são aquelas cenas de alívio que contrasta com toda a tensão que envolve as outras sequências da história. Entretanto, muitas vezes, nem as cenas à mesa escapam de prover aqueles momentos em que temos que segurar a respiração pois não dá para saber o que vai acontecer. Um bom exemplo disso é a famosa cena de Joe Pesci e Ray Liotta em “Os Bons Companheiros” (1990). Confira a cena aqui.



Em “Aliança do Crime”, temos também uma cena desse nível, onde uma receita pode definir o destino de um homem. A cena pode ser conferida neste trailer.




Se a receita (nem tão) secreta de temperar o bife do agente John Morris (David Harbour) leva alho espremido e óleo de soja, confira aqui outras opções para marinar carnes vermelhas em geral.

MARINADAS:

Uma marinada geralmente envolve um líquido ácido (vinho, vinagre), especiarias e ervas. As combinações são infinitas e variam muito de gosto para gosto.

A mais tradicional talvez seja a que leva vinho tinto e o bouquet garni – um apanhado de ervas arómaticas frescas que incluem louro, tomilho e salsa.

As especiarias podem incluir: cominho, pimenta do reino, curry e cardamomo.

Em alguns casos, pode-se incluir um talo de salsão ou de alho-poró.

Normalmente as marinadas são usadas em ensopados e preparos com caldo. Recomenda-se que a carne fique marinado por no mínimo 12 horas na geladeira. 


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

AS MEMÓRIAS DE MARNIE - REVIEW



“As Memórias de Marnie” é o mais recente e possivelmente o último filme dos Estúdios Ghibli, famoso estúdio de animação japonês fundado por Isao Takahata e Hayao Myazaki em 1985. Em 2014, representantes do estúdio anunciaram uma pausa nas produções por tempo indeterminado, para uma reestruturação estratégica.

Dirigido por Hiromasa Yonebayashi, o filme conta a história de Anna Sasaki, uma menina doce e tímida, com uma grande sensibilidade artística, mas com muita dificuldade de se relacionar com as meninas de sua idade. Ela é adotada e claramente vê-se um afastamento entre os pais e a filha, sem que o motivo fique muito bem explicitado. Como Anna sofre de asma, sua mãe a envia para uma pequena cidade litorânea para passar o verão com seus tios e  recuperar sua saúde debilitada.

Ao chegar na cidade, Anna mantém sua postura introspectiva e solitária. Ela começa a explorar as redondezas por conta própria e acaba encontrando uma casa, situada às margens de um lago. A construção chama a atenção da menina que logo se torna obcecada pelo lugar. “É assombrado”, dizem os tios de Anna, sobre o lugar que está abandonado há tempos. Entretanto, isso não impede a menina de continuar fazendo visitas escondidas ao local.

Inexplicavelmente, Anna faz amizade com uma menina – Marnie – que supostamente vive no casarão. E mesmo que ela não entenda como ela consegue ver e se relacionar com Marnie, Anna (juntamente com os espectadores) vai investigando e descobrindo uma bela e emocionante história que tem profundas ligações com as raízes da menina.

A beleza dessa produção está sedimentada na sua pureza artística e produção artesanal que se colocam como uma excessão do mundo demasiadamente computadorizado das animações atuais. Somada a um roteiro delicado, que se vale da conexão inocente entre duas meninas pré-adolescentes,  o filme ainda se propõe a discutir temas sérios como amizade, aceitação e perdão.

A composição de cores, a direção e a harmonização dos elementos visuais do longa se traduzem num deleite para os olhos do público, mesmo que esta não seja a obra mais marcante do estúdio que também é responsável por produções como “Porco Rosso: O Último Herói Romântico” (1992) e “A Viagem de Chihiro” (2001). Espera-se que esse hiato seja apenas temporário e que o estúdio volte a nos brindar com obras tão magníficas quanto esta.

Veja o trailer:




MALALA - REVIEW

Em outubro de 2012, Malala Yousafzai, de apenas quinze anos, foi vítima de um atentado terrorista, conduzido pelo Talibã, onde um homem armado disparou três tiros contra a menina enquanto ela voltava para casa num ônibus escolar. Outras duas garotas, amigas de Malala, foram feridas neste incidente. O motivo do ataque? Malala vinha lutando pelo direito de meninas poderem frequentar a escola. Depois de passar uma semana em coma, e vários meses internada, ela  pode voltar para casa, mas não em seu amado vilarejo no Paquistão. Seu exílio forçado a obrigou a firmar residência em Birmingham, Inglaterra. Se ela ousar voltar a pisar no Paquistão, ela será executada, como as autoridades locais já informaram.

Se uma coisa boa pode ser extraída desse ultrajante incidente, é o fato de Malala ser quem ela é. E e isso que o documentário “Malala” tentar mostrar: como o fato de quase ter perdido a vida não alterou, de forma alguma, sua convicção em lutar pelo direito das crianças de ter acesso a educação. Dirigido por Davis Guggenheim (de “Uma Verdade Incoveniente”), o documentário mostra a menina em seu ambiente familiar em paralelo com seu extenuante ativismo político, que demandam viagens internacionais, entrevistas e discursos.

Malala é mostrada como uma menina tímida, adorável e meiga. Agora com dezessete anos, ela lida com os efeitos do atentado que deixou o lado esquerdo de seu rosto paralisado e completamente surda do ouvido esquerdo. Um dos aspectos retratados no filme inclui sua rotina escolar, como ela humildemente mostra suas notas (nem tão boas), a diferença de costumes com suas colegas de classe e a interação com seus irmãos (que roubam a cena em alguns momentos). 

A inspiração de Malala é, claramente seu pai, Ziauddin, que no seu depoimento definiu a relação dos dois como “uma alma em dois corpos”. O filme dá grande destaque para esse homem que cultivou em Malala o amor pela educação e a coragem para falar das injustiças sofridas pelas crianças paquistanesas enquanto o Talibã destruía centenas de escolas pela região. O filme ainda se vale de belas animações para ilustrar as situações ocorridas no passado com um leve tom poético. Isso ajuda muito a estimular a imaginação e o emocional do público.

Talvez a única coisa que prejudique o documentário é o esforço exagerado de Guggenheim em mostrar Malala como uma heroína cativante e inspiradora, como se existisse alguma maneira de vê-la de outra forma. Ela é uma heroína cativante e inspiradora sem a forçada retórica do filme que pode parecer um tanto manipuladora. A consequência é que grande parte da luta política de Malala é reduzida em substância a montagens demasiadamente cortadas.

Em suma, “Malala” é uma história linda sobre uma pessoa formidável que faz a gente colocar toda a nossa vida em perspectiva. Note-se que a menina recebeu prêmio Nobel da paz em 2014, com apenas 17 anos. E você? O que tem feito com a sua vida?

Veja o trailer:


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

MATEMÁTICA PARA CINÉFILOS

E aí? Quem concorda? Quem quiser, pode dar outras sugestões nos comentários!


sábado, 7 de novembro de 2015

MELHORANDO AS BATATAS DE "PERDIDO EM MARTE"

“Perdido Em Marte”, estrelado por Matt Damon e dirigido por Ridley Scott é um excelente filme de ficção científica que definitivamente merece sua atenção.

Mark Watney estava em uma expedição em Marte (num suposto futuro não muito distante)  quando uma iminente tempestade põe em risco não só a missão, mas também a vida dos astronautas.

Durante a evacuação, Mark é atingido por um destroço da base  e fica para trás, presumidamente morto. Entretanto, para a surpresa de sua tripulação, da NASA,  dos Estados Unidos e até do próprio Mark, ele simplesmente sobreviveu. Assim ele deverá manter-se vivo em um planeta inóspito, hostil e, teoricamente, inabitável, até que a próxima missão chegue ao planeta vermelho. O único detalhe é que isso pode levar até quatro anos para acontecer.

Sem muitas delongas, o filme já é um sucesso de bilheteria no Brasil e no mundo. Grande parte desse sucesso deve-se ao carisma de Damon que carrega o filme nas costas. Jessica Chastain e Jeff Daniels também merecem destaque. 

Então vamos para o que interessa e não é spoiler já que isso aprece no trailer: Mark, antes de ser astronauta, é um brilhante botânico. E graças ao improviso, inteligência e um pouco de sorte combinados ao seu conhecimento, ele consegue plantar batatas em Marte.

“Perdido em Marte” é baseado no livro “The Martian”, de Andy Weir, que começou sua distribuição, veja só que curioso, de graça pela internet. Mal sabia ele que viraria um best-seller.

Pegando o gancho nas batatinhas do Matt Damon, segue aqui uma receita de batatas rústicas com ervas que valem muito a pena.

Confira o passo a passo:

Batatas Rústicas Assadas

Ingredientes:

3 batatas
3 ramos de alecrim
4 ramos de tomilho
3 colheres de sopa de azeite
5 dentes de alho com casca
Sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo:


Preaqueça o forno a 200°C. Lave as batatas (sem descascar) e as ervas. Em uma tábua, corte as batatas no sentido do comprimento, até obter vários gominhos.

Transfira os gomos para uma panela, cubra com água e tempere com uma colher de chá de sal. Leve ao fogo alto e deixe cozinhar por uns cinco minutos.

Passe as batatas por um escorredor de macarrão e deixe  a água escorrer por alguns minutos. 

Em uma assadeira antiaderente, disponha as batatas cozidas juntamente com as ervas e os dentes de alho (com a casca). Regue generosamente com azeite. Tempere com sal e pimenta-do-reino a gosto. Depois leve ao forno por vinte minutos.

Retire do forno, vire os pedaços com uma pinça, e deixe por mais vinte minutos.


Está pronto!