quinta-feira, 19 de maio de 2016

ROTEIRISTAS EM APUROS


“Ave, César!”é o filme mais recente dos irmãos Coen e tem em seu elenco estrelas do calibre de George Clooney, Scarlett Johansson, Josh Brolin e Channing Tatum. O longa é uma divertida jornada pelos bastidores do cinema da era de ouro de Hollywood onde épicos bíblicos, musicais, faroestes e filmes de espionagem levavam verdadeiras multidões às salas de projeção.

Com as excentricidades particulares a toda sua obra, os irmãos mais uma vez conseguem criar uma comédia diferente – ou estranha mesmo – mas que é uma verdadeira homenagem à produção cinematográfica como indústria. Ao mesmo tempo que reverencia esses “deuses” também os satiriza violentamente  em seus trejeitos, exageros e idiossincrasias.

Centrado no personagem de Josh Brolin, o troncudo Eddie Manix, o filme se desenrola paralelamente ao produção de um caríssimo filme épico que tem o problemático Baird Whitlock (Clooney) como protagonista. Manix é aquele cara que é contratado para resolver problemas. Não importa a natureza ou a proporção – ele resolve. Acontece que Whitlock desaparece misteriosamente e rapidamente Manix deve impedir que o Estúdio (o ficctício Capitol Pictures) se envolva numa conspiração de natureza política.

Mesmo completamente assoberbado com esse sumiço de sua grande estrela, Manix ainda tem que lidar com a gravidez indesejada de uma musa de filmes de dança aquática (no melhor estilo Esther Williams), agradar um diretor com aspirações grandiosas, formar casais e ainda despistar duas jornalistas de fofoca, interpretadas brilhantemente por Tilda Swinton se dividindo em papel de gêmeas.  

Num elenco repleto de artistas do time A de Hollywood, é  novato Alden Ehrenreich que rouba a cena. O rapaz interpreta Hobie Doyle que, inicialmente parece apenas um ator canastrão de faroeste espaguete, mas que história reserva um importante papel.

O grande barato do filme é como os diretores conseguem sublinhar a situação dos roteiristas de Hollywood a quem a indústria reserva muito trabalho e pouco reconhecimento. E sem entregar muito do acontece no filme, são eles que amarram todas as pontas do filme.

Na lista abaixo você pode conferir outros exemplos de filmes sobre percalços que os roteiristas de cinema enfrentam:

Trumbo: Lista Negra (2015)
Baseado em fatos reais sobre o roteirista declaradamente comunista Dalton Trumbo. Bryan Craston recebeu uma indicação ao Oscar por sua atuação.


Virando a Página (2014)
Com Hugh Grant e Marisa Tomei. Comédia romântica centrada na vida de um roteirista que fez sucesso há tempo e desde então nunca mais emplacou outro grande sucesso. Quando, por motivos financeiros, ele é obrigado lecionar em uma Universidade sua vida acaba se transformando completamente.



Nine (2009)
Musical baseado na peça da Broadway de mesmo nome e, que, por sua vez é adaptada do clássico italiano 8 1/2 de Fellini. Esse fala mais da realização de um filme por um diretor, mas abrange todo o processo criativo (ou a falta dele, neste caso). Indicado a quatro Oscars.



Adaptação (2002)
Com roteiro de Charlie Kaufman e direção de Spike Jonze, esse filme é um clássico instantâneo. Meryl Streep, Nicolas Cage e Chris Cooper estão no elenco desse filme que narra os percalços de adpatar um livro para o cinema. 



Cine Majestic (2001)
Jim Carrey em um raro papel dramático interpreta um roteirista de Hollywood que perde a memória e acaba sendo confundido com um jovem dado como morto na Segunda Guerra.



O Jogador (1992)
Obra prima de Robert Altman, com Tim Robbins no elenco. Um retrato amargo das políticas dos estúdios envolvendo um executivo de um grande estúdio que passa a ser chantageado por um roteirista que teve seu trabalho descartado. Indicado a três Oscars.




Barton Fink (1991)
Também dos irmãos Coen. Retrata as angústias de um escritor com um sério bloqueio criativo, que se envolve em uma complicada trama policial. Adivinhe o nome do estúdio. Isso mesmo. Capitol Pictures assim como em "Ave, César!". 



Crepúsculo dos Deuses (1950)
Clássico de Billy Wilder, com os mitos Gloria Swanson e William Holden. A estranha relação entre uma diva decadente do cinema mudo e um roteirista endividado promovido a michê que resulta em tragédia é um marco na história do cinema. 


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