quarta-feira, 20 de abril de 2016

DEUS NÃO ESTÁ MORTO 2 - REVIEW



Depois de ser filosoficamente debatido no surpreendente sucesso de bilheteria “Deus Não Está Morto”, o cristianismo volta à berlinda na sequencia “Deus Não Está Morto 2”, já em cartaz em todo país. Desta vez, o embate ocorre nos tribunais envolvendo o conceito defendido pelos liberais que preza a “Separação entre Igreja e Estado”.

A professora de história do ensino médio, Grace Wesley, é uma cristão convicta e orgulhosa de suas crenças. Mesmo sem nunca negar sua verve cristã, ela sempre respeitou a norma de não exceder sua posição de educadora e pregar o evangelho para seus alunos em solo escolar, visto que ela trabalha em uma escola pública. Uma aluna, entretanto, faz uma pergunta durante uma de suas aulas comparando os movimentos de não-violência liderados por Gandhi e Martin Luther King aos ensinamentos de amor ao próximo de Jesus Cristo. Nessa ocasião, Grace se vale de seu conhecimentos das escrituras para ressaltar o paralelo entre os três líderes.

Só que esse acontecimento chega aos ouvidos da diretoria da escola que interpreta o fato como um abuso dos limites por parte da professora. Grace é suspensa, sem direito a salário, pois ela é acusada de estar pregando em ambiente laico. Diante da recusa da professora em se desculpar, o incidente é levado aos tribunais para julgar a conduta da professora em processo movido pelos pais da aluna que fez a pergunta. Agora não é só Grace que está no banco dos réus, mas também tudo em que ela acredita.

“Deus Não Está Morto 2” usa as mesmas táticas didáticas de pregação empregadas no primeiro filme. Nessa sequência, entretanto, o debate filosófico é diluído em um discurso maniqueista de bem contra o mal, sendo o mal encarnado por um caricato advogado vivido por Ray Wise (mais conhecido pelo seu papel no icônico seriado “Twin Peaks”) que quer provar, de uma vez por todas, que Deus, de fato, está morto. 

O roteiro transita entre bons diálogos edificantes e inteligente a um sentimentalismo bobo e exagerado. Os bons momentos são sublinhados pelas participações ilustres dos autores Lee Strobel (Em Defesa da Fé), J. Warner Wallace (Cold Case Christianity) e do próprio Rice Broocks (autor do livro de mesmo nome que inspirou o filme).  Os autores aparecem muito bem aproveitados como testemunhas de defesa do caso contra a professora para ratificar a existência de Jesus como figura histórica.

O que é importante considerar ao ir ao cinema para assistir um tipo de filme como esse não é o valor agregado como um artigo de arte e sim um produto pensado e executado para agradar o público cristão. De fato, “Deus Não Está Morto 2” se vale de uma mensagem necessária e bonita, mas falha ao tentar alcançar o público não cristão, que pode entrar na sala com um olhar desconfiado dado ao marketing pesado de outras produções de viés religioso como “Os Dez Mandamentos” que, até hoje,  gera opiniões bem polarizadas. O que quero dizer é que o impacto residual do filme adaptado da novela da Record pode até atrapalhar a efetividade desta produção que estreia com grandes expectativas de êxito nas bilheterias.


No entanto, independente de toda controvérsia, eu recomento que assista o filme livre de conceitos e preconceitos. Usufrua desta experiência cinematográfica que prega uma boa mensagem e que, no fim das contas, nos faz nos sentir mais perto de Deus.  

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