sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

O REGRESSO - REVIEW

Chega aos cinemas esta semana o épico “O Regresso”, grande concorrente ao Oscar deste ano com nada menos que 12 indicações, incluindo Melhor Filme, Ator, Ator Coadjuvante e Diretor. O filme é conduzido pelo maestro mexicano Alejandro G. Iñárritu, que no ano passado levou as estatuetas de Direção, Roteiro e Filme pela comédia satírica “Birdman”. Estrelado por Leonardo DiCaprio e Tom Hardy, a produção é um suspense de vingança executado com perfeição técnica completamente deslumbrante.

No decorrer de seus 156 minutos de duração, o filme compreende uma jornada de superação e sobrevivência ancorada no talento e comprometimento de DiCaprio (que grita por um Oscar). Sua entrega ao personagem é completa e admirável, posto que poucas vezes vi um ator sofrer tanto por sua arte. Considere que além da exposição às severas condições de filmagem (nas baixas temperaturas do Canadá e da Argentina) que se limitavam a uma hora de exposição da luz do sol por dia, DiCaprio ainda abraçou desafios que incluíram: devorar um pedaço cru do fígado de um bisão, mesmo sendo vegetariano, e aprender duas línguas indígenas diferentes (Arikara e Pawnee).

Adaptado do romance baseado em fatos reais de Michael Punke, publicado em 2002, “O Regresso” conta a história de Hugh Glass, que, nos idos de 1820, trabalhava em uma expedição para extrair peles de animais em terrenos inóspitos, de natureza agressiva, e ainda, cercado de nativos americanos hostis além de uma concorrência nada amigável de uma guarnição francesa. Acompanhado de seu filho mestiço, Glass serve ao batalhão mas, antes de mais nada, zela por sua prole. Entretanto, após ser atacado por um urso (em uma cena impressionantemente realista) e perder seu único filho, Glass é abandonado à própria sorte, gravemente ferido e sem nenhum recurso de sobrevivência. Daí começa sua jornada de sobrevivência motivada exclusivamente pela vingança contra Fitzgerald (Tom Hardy), o homem responsável pelo seu infortúnio.

Fitzgerald é um antagonista óbvio visto que tudo no roteiro contribui para que o público desenvolva uma ogeriza ao personagem. Um fato que depõe contra o filme num todo, visto que acaba caindo em arquétipos pré-estabelecidos onde todos torcemos para um desfecho previsível de bem contra o mal. Talvez essa construção e desenvolvimento de personagem, tanto de Hardy quanto de DiCaprio, sejam as coisas mais rasas da produção. O que certamente não desmerece a obra.

“O Regresso” é um banquete visual, uma experiência estética e sensorial. A fotografia poderosa de Emmanuel Lubezki é impressionante e incrivelmente bela. Pode-ser traçar paralelos com outro cineasta também famoso pela contemplação da natureza – Terrence Malik. Logo na início do filme, onde acontece o ataque Arikara ao acampamento de Glass e seus companheiros, somos brindados com cenas de takes longos e contínuos, uma das assinaturas de Iñárritu, que eleva a sensação de tensão e crueza física.



Se em “O Náufrago”, Tom Hanks tinha sua afetuosa interação com a bola Wilson e em “Perdido em Marte”, Matt Damon tinha um personagem extremamente carismático e otimista, em “O Regressa”, Leonardo DiCaprio tem apenas a determinação expressada através de suspiros de dor e grunhidos abafados pelos ferimentos na garganta para sustentar sua atuação durante boa parte do filme. E ainda assim ele e Iñarritu conseguem conceber uma narrativa que entretem e emociona num desfecho quase catártico. E nesta boa fase de Inãrritu é de se esperar que mais coisas boas virão no futuro. 

Veja o trailer aqui:


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