quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A GAROTA DINAMARQUESA - REVIEW



“A Garota Dinamarquesa” é adaptação para o cinema baseada na obra de mesmo nome do autor David Ebershoff.  A história é centrada na vida do pintor Einar Wegener que foi um dos primeiros transsexuais a se submeter a uma operação de mudança de sexo. Ícone do movimento LGBT até hoje, sua trajetória chega as telonas com o brilho da interpretação de Eddie Redmayne (“A Teoria do Tudo”) acompanhado da igualmente talentosa Alicia Vikander, que interpreta sua esposa, Gerda. O filme está concorrendo ao Oscar desse ano em quatro categorias (Ator, Atriz Coadjuvante, Design de Produção e Figurino).

Eddie Redmayne é um homem cuja imagem andrógina tornou oportuna a sua escalação para o papel de Lili. Seu corpo lânguido e rosto pálido, de traços finos e delicados, configuram uma moldura perfeita para o que o physique du rôle exige neste filme. Esse dado – a escalação de um homem para o papel – é particulamente um grande acerto. Sem querer desmerecer mulheres que já interpretaram homens que se tornam mulheres, como Felicity Huffman em “Transamérica”, por exemplo, que esteve brilhante. Mas, o biotipo de Redmayne e sua habilidade de mimetizar com elegância os trejeitos femininos em um crescente aprendizado é uma das coisas mais interessantes da película.

Mas a história não se resume apenas a transição submetida por Einar. Muito mais que isso, o filme é, na verdade, uma bela narrativa sobre o amor verdadeiro entre duas pessoas que permanecem fiéis até o fim. Gerda, vivida lindamente pela talentosa atriz sueca Alicia Vikander (“Ex Machina”), teve que lidar com o fato de que seu marido deseja se tornar uma mulher integramente, incluindo seu corpo. Numa época (década de 20) em que homossexualismo era um tabu, imagine uma transição completa de gênero. Einar ou Lili (como ele passou a se chamar) foi considerado esquizofrênico se submento a tratamentos como radiação, internações ou uso de remédios.

O contraste entre Gerda e Einar é além palpável, chega a ser irônico. Gerda é independente, moderna, com o desejo de se estabelecer como pintora. Ela deseja ardentemente por essa validação profissional e a autonomia de sua carreira sempre à sombra do bem-sucedido marido, também pintor. Einar, por outro lado, ao passo que assume gradualmente o seu alter-ego feminino, é de uma postura tímida, recatada e discreta – tal qual uma moça da época supostamente deveria ser.  

O desenvolvimento deste projeto vinha se desenrolando por anos, e Nicole Kidman estava escalada para viver Einar/Lili, além de produzir o filme. Charlize Theron, Gwyneth Paltrow e Rachel Weisz foram algumas das estrelas cotadas para viver Gerda antes que Vikander fosse escalada em 2014. A esta altura Tom Hooper já estava comprometido com a direção e Nicole se afastando completamente da produção.

“A Garota Dinamarquesa” é um filme elegantemente executado, elevado por uma trilha musical belíssima, uma fotografia exemplar e com atuações de excelente nível. O que pesa contra a produção é que a história está sendo vendida como uma cinebiografia, quando, na verdade, os fatos mostrados no filme/livro diferente muito do que aconteceu realmente. Gerda na verdade era bissexual e mantinha um casamento aberto com Einar. Ebershoff, o autor do livro mudou tantos itens, que a obra é mais uma ficção usando personagens que existiram de verdade do que uma biografia.

Entretanto, a despeito das liberdades tomadas por Ebershoff e Tom Hopper (que também dirigiu Redmayne em “Os Miseráveis”), “A Garota Dinamarquesa” é um filme atual e necessário que fomenta a discussão sobre gêneros tão presente atualmente.  

Confira o trailer aqui:



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