segunda-feira, 16 de novembro de 2015

MALALA - REVIEW

Em outubro de 2012, Malala Yousafzai, de apenas quinze anos, foi vítima de um atentado terrorista, conduzido pelo Talibã, onde um homem armado disparou três tiros contra a menina enquanto ela voltava para casa num ônibus escolar. Outras duas garotas, amigas de Malala, foram feridas neste incidente. O motivo do ataque? Malala vinha lutando pelo direito de meninas poderem frequentar a escola. Depois de passar uma semana em coma, e vários meses internada, ela  pode voltar para casa, mas não em seu amado vilarejo no Paquistão. Seu exílio forçado a obrigou a firmar residência em Birmingham, Inglaterra. Se ela ousar voltar a pisar no Paquistão, ela será executada, como as autoridades locais já informaram.

Se uma coisa boa pode ser extraída desse ultrajante incidente, é o fato de Malala ser quem ela é. E e isso que o documentário “Malala” tentar mostrar: como o fato de quase ter perdido a vida não alterou, de forma alguma, sua convicção em lutar pelo direito das crianças de ter acesso a educação. Dirigido por Davis Guggenheim (de “Uma Verdade Incoveniente”), o documentário mostra a menina em seu ambiente familiar em paralelo com seu extenuante ativismo político, que demandam viagens internacionais, entrevistas e discursos.

Malala é mostrada como uma menina tímida, adorável e meiga. Agora com dezessete anos, ela lida com os efeitos do atentado que deixou o lado esquerdo de seu rosto paralisado e completamente surda do ouvido esquerdo. Um dos aspectos retratados no filme inclui sua rotina escolar, como ela humildemente mostra suas notas (nem tão boas), a diferença de costumes com suas colegas de classe e a interação com seus irmãos (que roubam a cena em alguns momentos). 

A inspiração de Malala é, claramente seu pai, Ziauddin, que no seu depoimento definiu a relação dos dois como “uma alma em dois corpos”. O filme dá grande destaque para esse homem que cultivou em Malala o amor pela educação e a coragem para falar das injustiças sofridas pelas crianças paquistanesas enquanto o Talibã destruía centenas de escolas pela região. O filme ainda se vale de belas animações para ilustrar as situações ocorridas no passado com um leve tom poético. Isso ajuda muito a estimular a imaginação e o emocional do público.

Talvez a única coisa que prejudique o documentário é o esforço exagerado de Guggenheim em mostrar Malala como uma heroína cativante e inspiradora, como se existisse alguma maneira de vê-la de outra forma. Ela é uma heroína cativante e inspiradora sem a forçada retórica do filme que pode parecer um tanto manipuladora. A consequência é que grande parte da luta política de Malala é reduzida em substância a montagens demasiadamente cortadas.

Em suma, “Malala” é uma história linda sobre uma pessoa formidável que faz a gente colocar toda a nossa vida em perspectiva. Note-se que a menina recebeu prêmio Nobel da paz em 2014, com apenas 17 anos. E você? O que tem feito com a sua vida?

Veja o trailer:


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