segunda-feira, 16 de novembro de 2015

AS MEMÓRIAS DE MARNIE - REVIEW



“As Memórias de Marnie” é o mais recente e possivelmente o último filme dos Estúdios Ghibli, famoso estúdio de animação japonês fundado por Isao Takahata e Hayao Myazaki em 1985. Em 2014, representantes do estúdio anunciaram uma pausa nas produções por tempo indeterminado, para uma reestruturação estratégica.

Dirigido por Hiromasa Yonebayashi, o filme conta a história de Anna Sasaki, uma menina doce e tímida, com uma grande sensibilidade artística, mas com muita dificuldade de se relacionar com as meninas de sua idade. Ela é adotada e claramente vê-se um afastamento entre os pais e a filha, sem que o motivo fique muito bem explicitado. Como Anna sofre de asma, sua mãe a envia para uma pequena cidade litorânea para passar o verão com seus tios e  recuperar sua saúde debilitada.

Ao chegar na cidade, Anna mantém sua postura introspectiva e solitária. Ela começa a explorar as redondezas por conta própria e acaba encontrando uma casa, situada às margens de um lago. A construção chama a atenção da menina que logo se torna obcecada pelo lugar. “É assombrado”, dizem os tios de Anna, sobre o lugar que está abandonado há tempos. Entretanto, isso não impede a menina de continuar fazendo visitas escondidas ao local.

Inexplicavelmente, Anna faz amizade com uma menina – Marnie – que supostamente vive no casarão. E mesmo que ela não entenda como ela consegue ver e se relacionar com Marnie, Anna (juntamente com os espectadores) vai investigando e descobrindo uma bela e emocionante história que tem profundas ligações com as raízes da menina.

A beleza dessa produção está sedimentada na sua pureza artística e produção artesanal que se colocam como uma excessão do mundo demasiadamente computadorizado das animações atuais. Somada a um roteiro delicado, que se vale da conexão inocente entre duas meninas pré-adolescentes,  o filme ainda se propõe a discutir temas sérios como amizade, aceitação e perdão.

A composição de cores, a direção e a harmonização dos elementos visuais do longa se traduzem num deleite para os olhos do público, mesmo que esta não seja a obra mais marcante do estúdio que também é responsável por produções como “Porco Rosso: O Último Herói Romântico” (1992) e “A Viagem de Chihiro” (2001). Espera-se que esse hiato seja apenas temporário e que o estúdio volte a nos brindar com obras tão magníficas quanto esta.

Veja o trailer:




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