terça-feira, 27 de outubro de 2015

STRAIGHT OUTTA COMPTON - A HISTÓRIA DO NWA - REVIEW

No início da década de 90, uma onda de protestos marcou a cidade de Los Angeles, em consequência de um incidente envolvendo o espancamento de um cidadão pela polícia. Um vídeo amador com imagens da agressão chegou às mãos da mídia causando um ultraje de repercussão global. Como os policiais foram absolvidos da acusação de abuso de poder, as pessoas foram às ruas com um claro sentimento de revolta. E destes protestos, 53 pessoas morreram e mais de duas mil ficaram feridas. Esse acontecimento foi uma explosão de uma sensação comunitária de indignação que há muito já vinha crescendo. Nos cinemas, Spike Lee aparecia com “Faça a Coisa Certa”. Nas rádios, o Public Enemy gritava “Fight the Power” e o NWA, “F*ck tha Police” e assim a questão racial nos Estados Unidos ganhava o mundo.

É esse o contexto que sublinha o excelente “Straight Outta Compton – A História do NWA”, que tem seu lançamento comercial previsto esta quinta, 29 de outubro. O NWA é considerado o pioneiro do estilo Gangsta Rap que exalta um estilo de vida onde o hedonismo  e a violência são louvados bem como o sexismo e a misoginia (coincidência ou não, o filme não tem um personagem feminino com mais de cinco linhas de diálogo).

Apesar desses elementos de superficialidade permearem a música do grupo, os próprios rappers se autodefiniam como representantes do Reality Rap – um tipo de porta voz do povo ao expor a realidade das ruas. O single “F*ck Tha Police” é a máxima expressão do que se passava na Los Angeles daquela época. A forma como os afro-descendentes eram tratados pela força policial de Los Angeles é um tema recorrente no filme e clara inspiração para a música.

Em uma cinebiografia de um grupo ou uma banda, geralmente escolhe-se um integrante para receber mais destaque e conduzir a trama. Como o recente “Love & Mercy”, por exemplo, onde a história dos Beach Boys é pano de fundo para falar de seu líder, Brian Wilson. É um desafio complexo dar um desenvolvimento igualitário para vários personagens quando se dispõe de tão pouco tempo de tela. Entretanto, em “Straight Outta Compton”, o diretor F. Cary Gray consegue dar igual importância a três dos cinco membros da banda de rap. A história se desenrola tendo como foco as vidas de O’Shea ‘Ice Cube’ Jackson, Eric ‘Easy E’ Wright e Andre ‘Dr. Dre’ Young e como esses três rapazes vindos de uma região pobre da California se tornaram uma das bandas de rap mais influentes de sua geração.

Em 1986, o jovem Andre convence seu amigo Easy E (um traficante de drogas peixe pequeno) a investir seu dinheiro no ramo da música. Dr. Dre, como ele se apresentava, já se mostrava um DJ e produtor de talento.  Junte a esta equação as letras chocantes de Ice Cube e o investimento não só financeiro, mas também vocal de Easy E, e está criado o NWA (Niggaz Wit Attitude). Ainda fariam parte do grupo, MC Ren (também compositor) e DJ Yella.
Apesar de bem intencionado, “Straight Outta Compton” intencionalmente suaviza alguns fatos e varre para debaixo do tapete algumas controversas situações, talvez para evitar algum processo na justiça. O fim da banda, marcada por uma guerra de egos e disputas financeiras, muito tem a ver com as atividades do empresário do NWA na época, Jerry Heller (interpretado pelo sempre ótimo Paul Giamatti).

É válido exaltar as atuações viscerais de O’Shea Jackson Jr (Ice Cube), Jason Mitchell (Easy E) e Corey Hawkins (Dr. Dre) e a fiel caracterização dos personagens. Mesmo que a produção seja vaga em muitos detalhes, o filme capta com justiça a essência do NWA exaltando sua vibração e talento, em uma época onde suas músicas não eram nem consideradas legítimas.

Veja o trailer:


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