terça-feira, 20 de outubro de 2015

SICÁRIO - TERRA DE NINGUÉM - REVIEW

“Homo homini lupus” é a  máxima em latim que vem a cabeça depois de assistir um filme como “Sicário – Terra de Ninguém”. Em tradução livre, significa: o homem é lobo do homem, onde uma guerra perpétua pela existência é justificada por uma estúpida violência hoje tão comum e inerente à nossa realidade. O curioso é que uma das frases mais marcantes do filme, proferida pelo personagem de Benício Del Toro à personagem de Emily Blunt, está diretamente ligada a este pensamento. Ele diz: “Essa é a terra dos lobos. E você não é um lobo”.

Dirigido pelo cineasta franco-canadense Denis Villeneuve, que é também realizador dos ótimos “Incêndios” (2010) e “Os Suspeitos” (2013), “Sicário –Terra de Ninguém” é definido como um poema obscuro, onde temas como vingança, justiça e moralidade são discutidos de uma forma dúbia, macabra e até perversa.

Na história, Emily Blunt é Kate Macer, uma agente do FBI reservada e um pouco tímida que tem pelo seu trabalho uma devoção quase ingênua. Será ela que nos conduzirá pelo intricado e bem elaborado roteiro do estreante Taylor Sheridan. Kate é reconhecida por suas habilidades táticas em campo e por isso é convocada a participar de uma missão na fronteira entre Estados Unidos e México para localizar e eliminar um poderoso chefe do cartel de drogas mexicano. Ela deverá responder a Matt Graver, um tipo um tanto fanfarrão, com seus chinelos de dedo e dualidade moral que é defendido com maestria pelo ator Josh Brolin. Para completar esta equipe, Benício Del Toro incorpora Alejandro, que pouco se sabe a respeito de suas intenções, mas entende-se que deve ser respeitado.

É interessante observar o arco dos personagens e entender, juntamente com Kate, as motivações e os por quês, num suspense elevado pela crueza da violência e da realidade representada com um naturalismo sujo e arrepiante. Entretanto, em nenhum momento Villeneuve se usa de algum exagero ou sensacionalismo aqui. Tudo é preciso e cirurgicamente trabalhado com um esmero louvável.


As atuações estão fantásticas e realmente são um diferencial para o resultado final do filme que é executado em todas suas áreas com um primor absoluto. A trilha sonora minimalista composta por Jóhan Jóhannsson (indicado ao Oscar por “A Teoria do Tudo”) está em perfeita sincronia com a tensão orquestrada por Villeneuve em cada sequência. E, como uma pintura, a fotografia realizada por Roger Deakins está impecável alternando tomadas wide screen de paisagens com close-se meticulosamente iluminados para captar até o mínimo de poeira em cena. Um trabalho lindamente realizado que somados formam um grande filme. E que venha a temporada de premiações.

Confira o trailer: 




Nenhum comentário:

Postar um comentário