segunda-feira, 21 de setembro de 2015

ROGER WATERS - THE WALL - REVIEW (Por Vívian Mello)


1979 foi o ano em que o álbum ícone do Pink Floyd, The Wall, era lançado com canções que viraram hino de uma humanidade, como inesquecível "Another Brick in the Wall". O lançamento do álbum que, segundo Roger Waters, é a sua vida, não coincidentemente acontece em um dos períodos mais tensos da Guerra Fria com a invasão soviética do Afeganistão, com o ápice do conflito da Irlanda do Norte, com uma ameaça de destruição global em função da corrida armamentista e com as feridas de duas Guerras Mundiais.

E é este o contexto que dá tom à narrativa do filme que é um prato cheio para os fãs do álbum e da banda. Uma inovação sem dúvida. O filme dirigido por Waters e Sean Evans e filmado em ultra definição mostra o show da turnê The Wall e tem como pano de fundo a viagem de Waters de carro da Inglaterra até a Itália, passando pela França, para buscar o túmulo de seu pai, um soldado de guerra.

O show tem uma história a parte com uma cenografia muito bem elaborada em relação aos muros, reais e simbólicos, de guerra. E a viagem do carismático Roger Waters traz uma fotografia estonteante. No final há uma conversa descontraída entre Waters e Nick Mason (ex-baterista da banda) que respondem mensagens recebidas dos fãs do mundo todo.

Apesar do uso e abuso da tecnologia e a teatralidade do show, o filme acaba trazendo uma narrativa arrastada e monótona, às vezes, chegando a corresponder ao próprio tom das longas melodias da banda.

O filme estreia em 29 de setembro e, por fim, trata-se da história de um astro atormentado pela morte de seu pai e seu avô em guerras, sua repulsão aos conflitos armados e à repressão e normatização da sociedade. O longa surpreende com a sensibilidade do roqueiro em suas dores pessoais e nas homenagens às vítimas de guerra, incluindo os brasileiros Sérgio Vieira de Mello, Jeans Charles de Menezes e Chico Mendes. Um grito de paz ao som de guitarra! Porém, um título de necessidade questionável aos que não são fãs do som do Pink Floyd.

A rede UCI é a responsável por trazer o documentário aqui para o Brasil. 
O filme será exibido em 17 salas em todo país.


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