quinta-feira, 10 de setembro de 2015

NOCAUTE - REVIEW


Uma das virtudes mais palpáveis de “Nocaute”, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira 10, é a entrega do ator Jake Gyllenhaal ao seu personagem – o lutador de boxe Billy Hope. Com a habilidade já provada nos excelentes “O Abutre”(2014) e “Os Suspeitos” (2013) , Gyllenhaal retrata com muito esmero um homem talhado pela tragédia. A começar pelo corpo (ele está uma verdadeira massa de músculos) até a alma  (explorando as nuances mais profundas de um papel que muito facilmente poderia se entregar ao melodrama), a parceria entre Jake e o diretor Antoine Fuqua (de “Dia de Treinamento”) entrega ao expectador uma avalanche de sentimentos medida pelo talento de ambos.

O longa conta a história de Billy Hope, campeão de boxe na categoria meio-pesado, que depois de uma fatalidade em sua vida pessoal entra em uma espiral de depressão, uso de drogas e violência até perder tudo. Mesmo sua dignidade é posta à prova. Uma trajetória interessante, considerando que Hope já inicia o filme como vencedor tendo superado a infância pobre e  atingido o sucesso com fama e dinheiro. Mas Billy continua o mesmo homem na essência, dominado pelo temperamento explosivo, se mostrando pouco articulado e de pouca instrução. São estas as características que delimitam sua jornada e marcam a necessidade de transformação do protagonista.

Em termos estéticos Fuqua, traz o espectador para dentro do ringue para que este experimente os golpes desferidos sem piedade pelo oponente, com o uso da câmera em ponto de vista (quando a pessoa que segura a câmera assume o olhar do personagem e mostra o que ele está vendo). É quase possível sentir o sangue voando pela tela numa atmosfera crua de socos surdos em câmera lenta.

É muito difícil fugir do lugar comum em um filme de boxe. Este universo esportivo já foi completamente exaurido e muito bem retratado em produções como “Touro Indomável”, “Rocky: Um Lutador”, “Menina de Ouro” e  “O Vencedor”, para citar alguns. Apesar deste filme patinar nos clichês pertinentes aos filmes de luta (o adversário óbvio, o fundo do poço e a luta final épica) é nas atuações que “Nocaute” se mostra uma boa peça de entretenimento.

Forrest Whitaker está excelente como um treinador veterano e Rachel McAdams entrega uma das suas melhores atuações em tempos. Mas quem verdadeiramente rouba a cena é a novata Oona Laurence, que interpreta a filha de Gyllnehaal. A menina é uma força genuína em cena e já apresenta muita consistência apesar de sua pouca idade.

Este filme também marca a última produção que leva a trilha sonora do compositor James Horner, a quem a produção é dedicada nos créditos finais. Horner faleceu em junho deste ano em um acidente aéreo. Segundo o site IMDB, o diretor Antoine Fuqua não tinha recursos para pagar o compositor que, por amar a ideia do projeto, topou fazer a trilha de graça em parceria com Eminem.

Assista ao trailer:


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