terça-feira, 9 de junho de 2015

"MUITOS HOMENS NUM SÓ" - REVIEW

Baseado em um conjunto de obras de João do Rio, "Muitos Homens Num Só", que chega aos cinemas no dia 25 de junho, conta a história de Dr. Antônio, pseudônimo de um famoso larápio do início do século passado. Assumindo várias identidades e usando a conveniência de sua boa aparência, o meliante transita tranquilamente pela aristocracia carioca enquanto furta seus pertences em quartos de hotéis. 

Uma premissa intrigante que é muito bem desenvolvida. Em meio a essa bolha de filmes de comédia que domina o cinema nacional, esse thriller é um revigorante sopro de criatividade e um exemplo de roteiro não só bem escrito, mas redondo, direto e crível, sem dispensar um certo romantismo nostálgico. 

A história desse bon vivant (vivido por Vladimir Brichta em atuação sólida), que deixa sua família de posses no sul para viver na boemia carioca é um começo interessante. Quando ele conhece Eva (personagem de Alice Braga), era muito possível fazer um roteiro que pegasse um caminho fácil e caísse num melodrama de dar cólicas. Mas é exatamente o contrário que acontece. O desenvolvimento dos personagens se dá de uma maneira muito orgânica e fica fácil entender as escolhas das personagens. 

"Muito Homens Num Só" é um filme brasileiro que é um ponto fora da curva. Primeiro
porque é bom. Segundo porque é um desafio. Sim! Um desafio! Uma produção independente levada às telonas pela persistência de sua realizadora - Mini Kerti - que levou dez anos para chegar até você, espectador. 

Entre captação de recursos, escalação de elenco, entre outras coisas, Kerti conseguiu filmar um longa de época (início do século XX), no Rio de Janeiro (com locações que incluíram a Confeitaria Colombo e a Biblioteca Nacional) em curtas quatro semanas. Desconte aí o tempo necessário para fazer o figurino e a maquiagem adequada, o que levava cerca de duas horas.

Com esse material, a diretora conseguiu montar um filme com um roteiro enxuto, uma bela fotografia, uma direção de arte impecável e com atuações precisas. Vladimir Brichta e Alice Braga estão muito bem juntos e a química entre eles é palpável nas telas.  

São filmes como esse que me fazem acreditar que o cinema brasileiro tem muita coisa boa para oferecer. Ainda há esperança!

Confira o trailer:


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